sábado, 1 de maio de 2010

Ficha de Leitura - E-fólio B

Ficha de leitura


Referências bibliográficas

Título: Factores de risco e factores de protecção ao desenvolvimento infantil: uma revisão da área.
Autor: Maia, J. M. D. e Williams, L. C. A. (2005)
Citação: Temas em Psicologia — 2005, Vol. 13, no 2, 91 – 103
Data: Trabalho apresentado na XXXVI Reunião Anual de Psicologia, em Salvador, 2006

Sinopse/resumo:

A formação da personalidade humana no decurso da evolução infantil é um dos acontecimentos mais maravilhosos que nos é dado conhecer. Complexo e estimulante, este processo é o resultado de factores biológicos, maturativos e do meio, e ocorre por etapas ao longo da vida.
Factores de risco condicionam ou impedem o normal desenvolvimento infantil, causando a curto e longo prazo na criança danos a nível cognitivo, linguístico, emocional, afectivo, relacional e social.
Os factores de risco ao desenvolvimento infantil mais comuns apontados pela literatura são a violência doméstica, a pobreza, as práticas, a personalidade e o historial dos pais, as manifestações do meio e a má formação genética.
A violência doméstica surge sob a forma de violência física, negligência e violência psicológica, sendo esta última associada a casos de violência conjugal e a violência sexual.
A violência física envolve maus tratos corporais tais como: espancamento, queimaduras, fracturas, contusões, etc. pp. 3. Crianças vítimas de maus tratos físicos tem uma maior probabilidade no futuro a viverem nas ruas, de serem presos por cometerem crimes graves, e em casos extremos, vítimas de morte infantil. Crianças com menos de cinco anos, crianças com deficiência físicas ou mental e crianças com comportamento difícil são mais vulneráveis aos maus tratos físicos resultantes da violência doméstica ou discórdia marital.
A negligência ocorre quando as crianças são privadas de algumas necessidades básicas para o seu desenvolvimento saudável tais como: a alimentação, vestuário, segurança e oportunidade de estudo pp. 3.
A violência psicológica “ocorre quando alguém é submetido a ameaças, humilhações e privação emocional” pp. 4. As consequências da violência psicológica exercida directa ou indirectamente sob a criança são: Sentimentos de medo e raiva, ansiedade, baixa estima, depressão, instabilidade emocional, comportamentos anti-sociais, problemas de relacionamento intrapessoal, baixa realização académica, uso de substâncias tóxicas, delinquência e criminalidade, etc.
A violência psicológica pode levar a criança a sentir-se desvalorizada, sofrer de ansiedade, adoecer com facilidade e em casos extremos pode levar ao suicídio.
“Uma criança que nasce em um lar violento está exposta a factores de risco ao seu desenvolvimento” Koller (1999), cit. Por Maia, J. M. D. e Williams, L. C. A. (2005) p. 4).
“A observação da violência doméstica afecta e interfere no desenvolvimento físico e mental das crianças” Sinclair (1985), cit. Por Maia, J. M. D. e Williams, L. C. A. (2005).
A exposição da criança ao conflito, confusão, agressão do pai à mãe é uma criança que pode ser agredida física e sexualmente. “A violência sexual compreende toda a situação na qual um ou mais adultos, do mesmo sexo ou não, utilizam a criança ou adolescente com a finalidade de obter prazer sexual.” Maia, J. M. D. e Williams, L. C. A. (2005): p. 5. A violência sexual pode abranger abuso sexual sem contacto físico, abuso sexual com contacto físico, pedofilia e prostituição infantil. Uma criança vítima de violência sexual, A curto prazo pode manifestar alguns problemas tais como: Ansiedade, depressão, agressão, birra, choros, problemas escolares, etc. A longo prazo podem surgir problemas tais como: Depressão, ansiedade, prostituição, problemas de relacionamento sexual, abuso de drogas e álcool, etc.
A pobreza é um dos grandes factores de risco ao desenvolvimento infantil. A pobreza inclui e atrai para si todo um conjunto de situações favoráveis ao conflito familiar e social condicionando e impedindo o normal desenvolvimento da criança.
Associado à violência doméstica contribui factores como a história, as práticas e a personalidade dos pais.
A história dos pais: Pais adolescentes, gravidez não planeada ou desejada, gravidez de risco, pai e mãe com múltiplos parceiros, prostituição, etc são factores que aumentam o risco de maus tratos pp. 7.
“30% das crianças maltratadas produzirão abuso ou negligência em suas crianças no futuro, já 70% de pais que maltratam seus filhos foram maltratados quando crianças” Barnett (1997), cit. Por Maia, J. D. e Williams, L. C. A. (2005) p. 6.
As práticas dos pais surgem também como factor de risco ao desenvolvimento infantil saudável: Depressão, baixo nível de instrução, experiências geracionais, expectativas culturais, a qualidade do relacionamento conjugal, o temperamento da criança, pais portadores de deficiência mental, uso de drogas, etc. “a probabilidade do jovem ter problemas no desenvolvimento aumenta rapidamente na presença de factores de risco como: conflitos familiares, perda do vínculo pai-filho, desorganização, práticas parentais ineficazes, estressores e depressão parental” Kumpfer e Alvarado (2003, cit por Maia, J. D. e Williams, L. C. A. (2005): p. 6.
As consequências apontadas são: uso de fumo, álcool, droga, relações sexuais desprotegidas, abandono escolar, uso de armas, violações, brigas, etc. p. 7.

Sub-tema:

Factores de protecção ao desenvolvimento infantil.
O conhecimento dos factores de risco e o conhecimento precoce dos seus problemas resultantes, permite a intervenção de forma a evitar o seu agravamento. Para implementar os factores de protecção é necessário identificar e multiplicar as acções protectoras de forma a potencializar os efeitos, uns nos outros.
Factores relacionados com a criança, com a família e com o ambiente social, estão na base dos factores de protecção ao desenvolvimento infantil saudável.
Crianças que tenham um ambiente familiar positivo, e: um relacionamento positivo entre pais e crianças, método de disciplina, comunicação de valores e expectativas pró-sociais, bem como a oportunidade da criança interagir com os seus pares e com outras pessoas fora da família, o grau escolar dos pais, estilos parentais adequados, boas relações sociais, participação da criança nas decisões familiares, elevada auto-estima da criança, competência e eficácia nas actividades, etc., são factores de protecção ao desenvolvimento infantil saudável.
"Os mecanismos familiares de protecção e o processo de resiliência individual devem ser direccionados para reduzir os factores de risco familiares" Kumpfer e Alvarado (2003), cit. Por Maia, J. M. D. e Williams, L. C. A. (2005): p. 9.
"A resiliência (...) é a ocorrência de bons resultados apesar de sérias ameaças ao desenvolvimento Saudável" Rutter (1985), cit. Por Maia, J. M. D. e Williams, L. C. A. (2005): p. 9.

Comentários

Nos últimos anos o estudo sobre a infância tem dado origem a várias perspectivas ou abordagens, e todas defendem que a personalidade da criança é permanentemente moldada pelas acções de agentes externos, tais como o pai e a mãe.
Piaget, Freud e Erikson são unânimes em defender que as qualidades das relações entre a criança e os pais que cuida, alimenta e protege, irá reflectir-se no futuro e nos relacionamentos que virá a desenvolver.
“Sigmund Freud defendeu que as experiências vivenciadas pela criança nos primeiros 4 anos de vida têm um papel determinante na construção da personalidade do futuro adulto…” Tavares, J… [et al.] (2007) p. 49.
“Erikson defende que a obtenção de confiança ou não da criança nas pessoas e nos objectos que a rodeia está intimamente relacionada com a interacção estabelecida com a mãe. Se desta relação resultar um sentimento de desconfiança, o mundo será percepcionado pela criança como um local hostil, o que poderá reflectir na dificuldade em estabelecer relações futuras com os demais”… Tavares, J… [et al.] (2007) p. 50.
Os factores de risco condicionam, desta forma, o desenvolvimento infantil saudável. “As crianças incapazes de resolver os primeiros conflitos psicossociais podem ter dificuldades posteriores em lidar e resolver outros conflitos que surgirão no futuro” Erikson (1963), citação por Tavares, J… [et al.] (2007) p. 54.
“Como em qualquer etapa desenvolvimental, cada aquisição está assente em experiências prévias e condicionam a aquisição e o desenvolvimento de estruturas posteriores. Na base deste processo encontra-se os factores genéticos e ambientais (nutrição, atenção e cuidados primários prestados ao bebé) com um papel determinante no seu desenvolvimento.” Tavares, J… [et al.] (2007) p. 43.

Conclusão

De forma a combater os factores de risco, os programas de treino de práticas familiares e de terapia familiar para a prevenção de crianças de alto risco, têm que promover técnicas e acções, de forma a desenvolver sonhos, objectivos, propostas de vida, e criar normas e valores familiares, facilitando laços afectivos, para que a inclusão seja uma realidade.

Bibliografia:

Maia, J. M. D. e Williams, L. C. A. (2005). Factores de risco e factores de protecção ao desenvolvimento infantil: uma revisão da área.
-Textos da plataforma Moodle
http://www.sbponline.org.br/revista2/vol13n2/v13n2a03t.htm
Tavares, J… [et al.] (2007). Manual de psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem. Porto: Porto Editora. p. 42-62.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ficha de Actividades

1.R- Estes ritmos diferentes de desenvolvimento explicam que, de todos os seres vivos, o Homem é aquele que apresenta um processo de desenvolvimento mais longo. O desenvolvimento humano é resultado de um património genético herdado e das experiências e vivências culturais e sociais acumuladas ao longo do tempo. Os restantes seres, o desenvolvimento é resultado de um património genético herdado. O ser humano passa por mudanças progressivas, contínuas, e acumulativas que resultam numa crescente reorganização interna.

2.R- O estudo de Goddard pretende demonstrar que o desenvolvimento e inteligência humana são determinados pelas características de hereditariedade, ou seja, o património genético herdado dos progenitores é que determina a constituição orgânica e psíquica dos indivíduos, bem como o seu comportamento, desenvolvimento, inteligência e personalidade. Estas características seriam inatas, naturais e imutáveis, nasceriam e morriam com o indivíduo.

3.R- A afirmação de Watson vai ao encontro das teorias Behavioristas que se posicionam no pólo da dictomia do adquirido, da educação e do meio (Murture). Esta perspectiva defende que são as experiências sociais, culturais e relacionais que determinam a forma de ser do indivíduo. O indivíduo é o fruto e produto do que aprende e o meio moldaria o seu desenvolvimento. A teoria dos Behavioristas sobre a aprendizagem e desenvolvimento humano assenta no conceito do filósofo John Lock de “tábua rasa”, na qual o ser humano nasce sem ideias e concepções inatas e o meio ambiente seria o único responsável pela formação do indivíduo.

4.R- Certamente que o exemplo do menino selvagem seria no mínimo incómodo para os defensores da dictomia da hereditariedade e do meio ambiente, e seria responsável no mínimo, por debates e novas adições ao modelo.
Certamente um argumento utilizado pelos defensores da hereditariedade, relativamente ao desenvolvimento desta criança, seria o que Goddard tentou demonstrar com o estudo da família Kallikak (os bons e os maus Kallikak), que provavelmente o menino selvagem teria herdado um património genético defeituoso, resultante talvez da demência de um dos progenitores, e por isso a criança não se desenvolveu normalmente.
Os defensores das teorias que se posicionam na dictomia do adquirido, da educação e do meio ambiente, argumentariam que o menino selvagem não apresenta o mesmo nível de desenvolvimento das crianças com a mesma idade, porque o menino selvagem não percorreu os mesmos estádios de desenvolvimento. Os Behavioristas defenderiam que os primeiros anos de vida são os mais importantes, e que só com o tempo o menino selvagem conseguiria fazer alguns progressos, mas teria o seu futuro afectado pela ausência das aprendizagens sociais e culturais dos primeiros anos de vida.

5.R- A minha opinião é que a concepção construtivista e interaccionista é a mais adequada, ou seja, a integração de alguns elementos dos factores maturativos e sociais. No processo de desenvolvimento intervêm factores biológicos, psicológicos, culturais e sociais, sendo que o indivíduo tem um importante papel na participação no seu desenvolvimento.
Contudo, acredito que o meio social tem mais influência na aprendizagem e no desenvolvimento do indivíduo que a hereditariedade do património genético. Como se explicaria que de pais saudáveis nasçam filhos deficientes e estes tenham um bom desenvolvimento humano? Como se explicaria que de pais deficientes nasçam filhos saudáveis e estes tenham sucesso na vida?
Não somos apenas um conjunto de células, umas mais especializadas que outras, que recebem e reagem a informação. Somos seres complexos que evoluímos em estádios de desenvolvimento e, para que isso aconteça o meio social é fundamental.

6.R-
A- O sucesso ou insucesso das experiências de uma pessoa está realmente "nas cartas". Afinal de contas, a maior parte dos delinquentes juvenis não tem origem numa família onde os pais revelem uma tendência para a delinquência. (Discordo muito).
B- A motivação e o impulso determinam quem atinge um nível quase perfeito. A aptidão contribui. Afinal, Thomas Edison disse que a genialidade é 1% de inspiração e 99% de transpiração. (Concordo muito).
C- John Locke, filósofo inglês do século XVII, acreditava que, no nascimento, a mente era uma tábua rasa. Esta opinião está assente na perspectiva behaviorista do desenvolvimento. (Concordo muito).
D- É importante consultar o meu horóscopo, especialmente se vou enfrentar situações que exigem decisões importantes. (Discordo muito).
E- Se quiser ter sucesso siga o conselho de ir viver para o litoral, pois aí o clima é mais propício à sua obtenção. (Discordo muito).
F- O comportamento é o resultado da hereditariedade a interagir com o meio a interagir com o tempo. (Concordo).

Resumo do Capítulo 2.1 - Desenvolvimento Humano

Resumo do Capítulo 2
Cada homem é um indivíduo com uma identidade própria, resultado de um património genético e das experiências e vivências particulares. Assim, o desenvolvimento humano é um processo complexo e que evolui por estádios ao longo da vida. A Psicologia do Desenvolvimento tem como objectivo estudar a origem e a evolução dos processos mentais humanos que surgem ao longo do tempo, ou seja, as mudanças que ocorrem com a idade.
Ao longo da história do estudo do desenvolvimento humano surgiram vários modelos teóricos. Estes modelos começaram a organizar-se em dictomias, ou seja, ideias que se situam em posições extremas.
No pólo do inato, da hereditariedade (Nature), o desenvolvimento humano é determinado pelo património genético herdado dos progenitores que define a constituição orgânica e psíquica dos indivíduos, bem como o seu comportamento, desenvolvimento e personalidade.
No pólo do adquirido, da educação e do meio (Murture), o desenvolvimento humano é determinado pelas experiências sociais e culturais que define a forma de ser do indivíduo. O indivíduo é o fruto daquilo que aprende e o meio moldaria o seu desenvolvimento.
Entre os dois pólos da dictomia surge a concepção construtivista e interaccionista (psicosocial), na qual integra alguns elementos maturativos e sociais, defendendo uma posição que não é inatista nem empirista. No processo de desenvolvimento intervêm factores biológicos, sociais e culturais, sendo que o indivíduo tem um papel importante no seu desenvolvimento.
Com o objectivo de organizar e sistematizar o conhecimento resultante das várias perspectivas sobre o desenvolvimento humano, surgem as teorias mais relevantes: psicanalítica, behaviorista, cognitivista e humanista, com um objecto e métodos de estudo particulares.